Sentado, aqui, ao teu lado,
olhando a saudade lá do outro lado da tela.
E hoje eu parei o meu mundo.
Hoje eu parei para ver o teu sorriso desfilar aqui, ao meu lado.
Sentados, lado a lado,
olhando as ondas,
e, como uma dança,
eu me movimento aqui também.
Agora você não sabe o que eu senti:
um frio na espinha,
um arrepio no peito.
Então paro,
olho o casal de namorados ao meu lado —
ele passando a mão pelas suas costas.
E eu aqui, sentado, ao teu lado,
sentindo o meu prazer,
matando a saudade de te escrever versos.
A saudade vem aqui entregar o prazer:
o teu beijo,
que, do outro lado,
fala as rimas, decifra os códigos.
E eu criptografo —
coloco tinta e uma flor,
decoro de diamante,
só para dizer que essa aliança
entre o universo e essa canção
faz nascer uma lua,
o meu farol,
aqui, sentado,
nesta noite fria de outono em Maceió.
Você aí, do outro lado,
mandando a chama pelos olhos.
Eu pego a minha vela
e, aqui deste lado,
acendo as fogueiras da poesia.
Onde as nuvens me trazem
