domingo, 5 de abril de 2026

Entre Telas e Saudade

 Sentado, aqui, ao teu lado,

olhando a saudade lá do outro lado da tela.


E hoje eu parei o meu mundo.


Hoje eu parei para ver o teu sorriso desfilar aqui, ao meu lado.


Sentados, lado a lado,

olhando as ondas,

e, como uma dança,

eu me movimento aqui também.


Agora você não sabe o que eu senti:


um frio na espinha,

um arrepio no peito.


Então paro,

olho o casal de namorados ao meu lado —

ele passando a mão pelas suas costas.


E eu aqui, sentado, ao teu lado,

sentindo o meu prazer,

matando a saudade de te escrever versos.


A saudade vem aqui entregar o prazer:

o teu beijo,

que, do outro lado,

fala as rimas, decifra os códigos.


E eu criptografo —

coloco tinta e uma flor,

decoro de diamante,

só para dizer que essa aliança

entre o universo e essa canção


faz nascer uma lua,

o meu farol,

aqui, sentado,

nesta noite fria de outono em Maceió.


Você aí, do outro lado,

mandando a chama pelos olhos.


Eu pego a minha vela

e, aqui deste lado,

acendo as fogueiras da poesia.


Onde as nuvens me trazem


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